A carne que o consumidor compra no supermercado pode ser fruto do trabalho escravo. Isto porque o fornecedor pode repassar um produto de uma fazenda onde são utilizados serviços de trabalhadores escravos. A idéia do governo, das empresas e da sociedade civil com a assinatura do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo é inviabilizar o trabalho escravo, com as empresas recusando de comprar os produtos e os bancos deixando de financiar as atividades.
O presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, Oded Grajew, disse que com a resistência à compra desses produtos, essa cadeia produtiva fica inviabilizada. "Quando o trabalho escravo encontra resistência a que produtos fabricados com ele tenham seu escoamento no mercado diminuido ou quando empresas que o utilizam perdem o financiamento, inviabiliza-se a atividade que tenha este trabalho como base. O pacto lançado hoje significa que as empresas não vão comprar nenhum produto que contenha trabalho escravo nem os bancos vão financiar uma atividade que contenha trabalho escravo", explicou.
Grajew lembrou que, muitas vezes, ocorre o desconhecimento pelo consumidor e pela empresa. "Muitas empresas estavam nessa cadeia de produção, sem conhecimento, porque havia uma distância grande entre o início da atividade e a cadeia final. Não se pode responsabilizar nenhuma dessas empresas, porque elas não sabiam, como os consumidores, de onde vem os produtos", considerou. A cada ano serão apresentadas novas listas às empresas, junto com o mapeamento da cadeia produtiva. Além disso, será monitorada a evolução do Pacto no mesmo prazo. Grajew afirmou que o acordo passou quatro meses sendo construído. A articulação se baseou em um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que mapeou a cadeia produtiva do trabalho escravo a partir das "listas sujas" do Ministério do Trabalho e Emprego. "Mostramos a cadeia produtiva e todos eles se comprometeram a firmar o pacto contra o trabalho escravo", disse Grajew.
Estudo sobre trabalho escravo